Aldo Fortunati na Casinha Pequenina

Tivemos mais um encontro com Aldo Fortunati, sobre o tema “Família e Escola e a Abordagem de San Miniato”, na Casinha Pequenina. Mas dessa vez, o encontro foi com pais, professores, gestores e Aldo. Encontro com toda a comunidade para a discussão conjunta sobre educação.
Aldo começou a conversa propondo uma reflexão: depois que as crianças começam a frequentar a escola, o comportamento muda ou não?
“A experiência que a criança tem na escola ajuda os pais a compreenderem mais seus filhos. A ideia trocada entre educadores e pais, sobre a criança, amplia a compreensão dos pais sobre seus filhos, portanto a escola é importante tanto para as crianças quanto para os pais.
A escola não pode ser uma forma de suporte para que os pais possam trabalhar. Ela tem que significar a possibilidade de olhar o próprio filho através do olhar de outras crianças, de outras pessoas. Isso faz com que se entenda melhor as potencialidades e capacidades da criança. Quando a troca se realiza, adiciona-se novas possibilidades.
A responsabilidade dos pais, nunca pode ser eximida, porém não devemos deixar a família só.
Quando a mãe sente uma enorme responsabilidade perante seu filho, isso pode pesar muito, em alguns casos, mesmo quando a criança não tem grandes problemas. O grande problema é viver em solidão com o possível problema de seu filho. Se for vivido só, o problema se torna enorme e, às vezes, insuperável. Ao frequentar uma escola onde há troca entre pais, crianças e educadores, problemas que pareciam grandes, tornam-se pequenos e de fácil resolução. Entrar em contato com outras situações, dimensiona a própria situação.
A escola tem que ser um espaço de expressão, com adultos capazes de construir experiências ricas, belas, que correspondem às potencialidades de cada um. As crianças, dessa maneira, desenvolvem suas capacidades de modo ativo e a relação pais/ educadores, aumenta a capacidade de reflexão e olhar para o que elas podem realizar, como elas fazem e como elas sabem fazer.
Entrar em contato com situações sociais diversificadas é ótimo para todos os lados envolvidos.
Ser visto por mais olhos atentos e com diferentes papéis cria a possibilidade de contar sua história de maneira autônoma”.
Depois de sua fala, Aldo abriu o microfone para perguntas. E foram muitas.
A primeira foi sobre a adaptação das crianças na escola. Adaptação das crianças e pais.
“Os pais têm de entender que as crianças, desde a mais tenra idade, se envolvem em suas atividades. Não podem e não devem ter “ciúme” quando seus filhos não retornam rapidamente aos seus braços ou em situações parecidas”.
Chiara Parrini, educadora, que veio ao Brasil junto com Aldo, citou o Pequeno Príncipe, quando ele encontra a raposa.
O importante da vida é criar laços, cativar. Para isso, a relação de confiança mútua e segurança tem que existir. “O essencial e invisível para os olhos”.
E citou a raposa, quando fala em cativar: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…”.
A segunda pergunta foi sobre qual a melhor idade para começar a frequentar a escola e se podemos sempre confiar.
Aldo respondeu que não existe uma melhor idade, mas o melhor momento para família. Retardar a entrada da criança pensando que assim ela estará mais preparada para a situação é um erro.
Inserir outras pessoas na vida da criança é positivo sempre. As crianças sabem perfeitamente a diferença entre pais e outras pessoas.
Em relação à confiança, disse que o segredo é aprofundar a relação com os educadores da escola. A confiança se constrói e é alimentada.
A última pergunta foi sobre nosso sistema de educação onde as escolas focam no vestibular e ENEM.
“As crianças têm uma experiência rica, aberta, criativa, individual e depois as colocam em salas sob um sistema que mede a sua capacidade. Está errado!
As famílias têm que fazer entender, a quem faz as políticas educacionais, a importância de cultivar as potencialidades, não só premiando o desempenho, mas as oportunidades que vão além.
A experiência educacional é bem sucedida quando o aluno vai além do professor. O resultado não pode ser medido através de uma escala pré-determinada. Essa escala não consegue medir esse potencial que vai além da nota.
Seria interessante manter esse olhar. Esse é o momento de completar a formação para tornar-se um cidadão competente e criativo. Investir em educação replicando fórmulas é nocivo”.
Para finalizar, Aldo disse:
“As escolas tem que servir para as crianças, não para os pais que trabalham. A necessidade é das crianças. Tem que ser. Mais de 50% das crianças entre 0 a 3 anos de idade, na Itália, frequentam escolas. Isso é normal. A experiência educacional é altamente positiva”.

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